Maquetes que fizemos: Vende-se carne negra

Por Karla Paiva

Materiais, opiniões e técnicas

Aqui pretendo fazer uma explanação sobre o que foi desenvolvido para a realização desta maquete, a parte física…

Para a base, abaixo do asfalto e calçada, utilizei uma placa de pvc expandido, meu queridinho, é claro! (risos). E para o asfalto, uma placa de 1 cm de espessura de espuma de poliuretano, marquei e cortei onde seria o bueiro. Após apliquei uma generosa camada de pintura com tinta acrílica branca, para diminuir o esfarelamento natural do material…. e segui com a pintura de acabamento com tons de azul escuro, cinza e preto… em camadas finas com a tinta spray. Após todo este trabalho, como contei no post anterior, meu principal parceiro aqui, Claudney (marido, rs), sugeriu um buraco no asfalto. Como eu nunca tinha realizado nada neste estilo, primeiro pensei, vai estragar meu asfalto maravilhoso (hahaha). Ledo engano, topei o desafio e, ao contrário do que pensei, quebrar o asfalto depois de pintado trouxe realismo ao detalhe do buraco. Que em seguida foi pintado com várias camadas e tons de marrom, tentando sempre manter o aspecto mais quebradiço. Que acaba sendo um pouco difícil, já que a placa de espuma é relativamente sensível até mesmo à pintura. O bueiro foi cortado à mão numa fina placa de pvc expandido e recebeu várias camadas de pintura até chegar nesse resultado envelhecido, o detalhe do ferrugem foi uma técnica marital e é segredo de família! HAHAHA…

Continuando a produção, o meio-fio seguiu o mesmo princípio do asfalto, mas, neste caso, a textura da espuma não ajudava no realismo daquele detalhe. Uma coisa que gosto de fazer é mostrar o que estou produzindo para pessoas próximas, para fazerem um tipo de “avaliação” do realismo. Mas eu só seleciono amigos sinceros, capazes de responder criticamente sobre algo que um pessoa com menos intimidade certamente não falaria. Por mais que algumas não sejam maquetistas, acho que é justamente isso que proporciona essa troca, para eles, parece que não ajudaram, mas um simples comentário do tipo “achei que as texturas estão parecidas, asfalto e meio-fio” mexe o suficiente para me fazer pensar na aplicação de materiais e técnicas que venham a resolver esse problema, dentro da escala da maquete. Como envio fotos, para eles, a visão é de uma imagem em escala real. E essa conversão de escalas para o tamanho, cores e texturas, só o maquetista é capaz de solucionar. Por isso é tão importante testar materiais, fazer experiências… 

Um olhar de fora da obra pode ser extremamente revelador. É como um problema, se o problema é seu, você pode não enxergar todas as soluções possíveis, porque você está no meio do turbilhão de sentimentos. 

Nem todos que eu peço opinião, fazem ou já fizeram maquetes, mas eles conhecem um pouco das técnicas e com a convivência e conversas, foram aprendendo sobre as possibilidades, que são infinitas! Eu gosto de recorrer a algumas pessoas buscando essa sinceridade, que pode ser temida por muitos, mas que eu acredito que seja um dos componentes para se chegar num trabalho de excelência.

Aproveito para agradecer aqui esses olhares críticos que tanto me fazem crescer, Tainanda Paiva, minha filha, sempre me colocando pra cima nos momentos de desânimo; Claudney Neves, grande incentivador e apoiador que divide com generosidade suas ideias e possíveis soluções para melhorar a qualidade do meu trabalho; Ivna Medeiros, amiga da época de faculdade, amiga até hoje, que reside na Paraíba, incentivadora e que foi algumas vezes parceira nas maquetes paraibanas e Gabriel Manteiga, sinceridade deveria ser seu sobrenome, hahaha… Parceiro nos desenhos no autocad de algumas das minhas maquetes, o pitaco mais afiado, questiona, reclama e elogia! 

Quer time melhor?

Mais algumas técnicas

Voltando à produção, a calçada foi feita em pvc expandido, a marcação da divisão das pedras foi feita manualmente com a régua e riscando com ponta de uma pinça fina, depois achei que ficou muito certinha. Um dos grandes problemas no Brasil é a deterioração das nossas calçadas, não podia deixar ela lisinha… Cortei algumas “pedras” para dar esse efeito estufado, tão comum… Depois vim com spray na cor concreto para a pintura da base e aí fui trabalhando outros tons, preto, verde, fumê, cinzas… tudo com spray e alguns detalhes com a tinta mais diluída, aplicada com pincel.

Para o muro, iniciei a base com a mesma placa de espuma de poliuretano, pintura com tinta acrílica e rebaixo na espuma para dar a impressão de reboco arrancado, mostrando a parede de tijolinhos por baixo…. Me arrependi de ter colocado tantos tijolinhos, apesar de ser uma folha de textura pronta, confeccionada em uma folha fina de poliestireno, pintar tijolo por tijolo, não foi uma tarefa rápida, mesmo com toda prática (anotado no caderninho: não colocar tantos tijolinhos na próxima, risos).

Após essa constatação, segui para a próxima etapa, que acabou sendo uma descoberta, aplicando a tinta acrílica bem espessa, percebi que a massa corrida ia dar um acabamento “perfeito” de muro descascado. Me diverti muito com a possibilidade de reproduzir o imperfeito, me deu uma liberdade para criação que há muito não sentia com as maquetes.

Uma outra etapa foi testar descascar a tinta, com a ajuda de uma espátula, o efeito ficou tão real que eu mal podia esperar para descascar a parede inteira! HAHAHA… Depois usei betume para envelhecer os cantos e a área perto do chão. Apliquei os stencils, desenhados no CorelDraw e depois cortados numa máquina de corte, a Silhouette.

A lixeira foi moldada na espuma de poliuretano, numa placa com 5 cm de espessura, que permite trabalhar volumes maiores. Lixei, pintei, emassei com massa corrida e lixei de novo… Pintei depois com tinta spray laranja, cor das lixeiras da nossa cidade “maravilhosa”. Envelhecimento e sujeira feitos com betume novamente. E finalmente para as caixas de cloroquina, cortei pequenos pedaços de pvc expandido, na medida exata das caixinhas que produzi no Corel, pegando imagens reais da caixa do medicamento na internet. Montei dois arquivos, o do medicamento chamado Requinol, que seria o nome de grife da cloroquina e uma caixa do genérico Hidroxicloroquina. Como pedido, este arquivo está sendo disponibilizado aqui em pdf, espero que sirva de inspiração para vocês!

Gostaria de deixar registrado meu agradecimento a todas as mensagens carinhosas, generosas, curtidas e apoio sobre o tema e a produção deste trabalho, e convidar quem ainda não leu nosso editorial sobre a maquete, a parte emocional do trabalho, que o faça e entenda melhor de onde isso tudo surgiu. Basta clicar aqui.

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